segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Além do Além da Contracapa - Parte 2


E dando sequência às comemorações de seis anos do blog, hoje vocês podem conferir a segunda parte do  vídeo Além do Além da Contracapa, no qual compartilhamos algumas histórias de bastidores e falamos sobre como foi a produção de alguns conteúdos marcantes que vocês acompanharam por aqui. 

sábado, 16 de setembro de 2017

RESENHA: Lobo por Lobo

“Esperança. Uma palavra esquisita. No passado, tinha sido leve e delicada. Quebrada tão facilmente quanto um dedo sob a bota de um guarda. Mas agora... agora, a esperança pesa muito mais, como se o próprio Coliseu tivesse desmoronado em cima dela. Argamassa e o sofrimento. Tijolo e tempo. Entrando com tudo na cavidade torácica de Yael. O lugar que deveria abrigar seu coração.” (GRAUDIN, 2016, p. 96)

***

O Eixo ganhou a Segunda Guerra e agora a Alemanha e o Japão são as grandes potências mundiais. Para celebrar, todo ano é organizado o Tour do Eixo: uma corrida de motocicletas entre jovens alemães e japoneses. Ao vencedor, além da glória, fama e fortuna, é concedido o privilégio de conhecer o recluso Adolf Hitler. Yael é uma jovem que fugiu de um campo de concentração ainda criança e, apesar de todas as suas perdas, o que deseja não é vingança, mas sim uma forma de pôr um fim ao regime nazista e a todas as suas injustiças. Assim, ela se junta à resistência e é treinada para vencer a corrida e matar Hitler. 

O primeiro aspecto que preciso destacar é a fluidez do texto de Graudin, que chega a ser até mesmo hipnótico em alguns momentos. Geralmente, o primeiro livro de uma série se limita a introduzir os personagens e a contextualizar o cenário, porém, este não é o caso de Lobo por Lobo. Em poucos capítulos o leitor já se vê em meio a ação, acompanhando de perto a missão de Yael e sem conseguir desgrudar os olhos. 

E falando na protagonista, este foi outro grande acerto da autora, que soube desenvolver com maestria a personalidade de Yael. Graudin inseriu ao longo da estória episódios marcantes na vida da protagonista, de modo que o leitor tem uma visão muito ampla sobre sua jornada e, principalmente, sobre sua dor e suas motivações. 

Além de ser levada para um campo de concentração e ver de perto as condições degradantes do trabalho forçado, a menina também era submetida a experimentos científicos que visavam a supressão da melanina. O que o médico não esperava é que Yael desenvolvesse a habilidade de alterar sua aparência e é com esse poder, mantido em segredo, que ela consegue fugir. Mas o mais curioso é que Graudin não usa este poder apenas como um trunfo para derrotar Hitler, mas também para trazer discussões a respeito da identidade de Yael. 

Confesso que um dos meus receios com a leitura dizia respeito a competição em si, afinal, correr em motocicletas por uma trajetória de mais de vinte mil quilômetros me parecia potencialmente enfadonho no papel. Felizmente, não acompanhamos quilômetro a quilômetro da competição, mas apenas os momentos-chaves, que são significativos para o desenvolvimento da estória.

No final do livro, outro aspecto que se destacou foi o cuidado da autora em amarrar todas as pontas da trama, entregando um desfecho inteligente e alucinante, que encerra a primeira parte da estória, mas também deixa um gancho promissor para a sequência. 

Mas o que mais me marcou na leitura de Lobo por Lobo foi imaginar o cenário em que Hitler foi bem sucedido e que as atrocidades nazistas não tiveram um fim. Em tempos de extremismo, intolerância e surgimento de grupos neo-nazistas, livros como este são imprescindíveis para nos manterem alertas e nos lembrarem de um passado amargo. Aliás, registro aqui também o excelente trabalho de pesquisa feito pela autora, pois fica claro sua autoridade sobre o assunto. 

Quando Lobo por Lobo foi lançando, tinha achado a sinopse original e promissora, porém, resolvi que aguardaria o lançamento do segundo livro, Sangue por Sangue. Foi uma sábia decisão pois quando encerrei a leitura, tudo o que eu queria era ter a sequência em mãos e continuar no mundo de Graudin. 

Misturando young adult com um cenário distópico, uma dose de fantasia e elementos históricos, Ryan Graudin compôs uma obra impecável e que me surpreendeu do início ao fim. 

Título: Lobo por Lobo
Autora: Ryan Graudin
N.º de páginas: 358
Editora: Seguinte
Exemplar cedido pela editora

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Além do Além da Contracapa - Parte 1


Dando início à série de posts especiais em comemoração aos 6 anos do Além da Contracapa, neste vídeo contamos algumas das nossas histórias de bastidores. Afinal, vocês acompanham o blog, leem o nosso conteúdo, interagem conosco, mas nem sempre vocês sabem o que está por trás destes posts. Então aqui está o além do Além da Contracapa.

PS: E no final tem Erros de Gravação.



segunda-feira, 11 de setembro de 2017

RESENHA: A lógica inexplicável da minha vida

“Maggie estava arranhando a porta. Eu a deixei entrar. E depois pensei que talvez a vida fosse assim – sempre haveria algo arranhando a porta. E continuaria arranhando e arranhando até você abrir.” (SÁENZ, 2017, p. 176)

Depois de me apaixonar por “Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo”, eu mal podia esperar por um novo livro de Saénz. Aí veio “A Lógica Inexplicável da Minha Vida” para roubar novamente o meu coração.

É o último ano do ensino médio e Salvador está diante de uma série de mudanças nada bem vindas: não apenas seu pai adotivo e sua melhor amiga, Sam, o pressionam para escolher uma faculdade, como ele é surpreendido com a notícia de que sua avó está com uma doença terminal. Para completar, ele tem cedido a impulsos de raiva com cada vez mais frequência e não consegue entender de onde eles estão surgindo. É claro que o acontecimento dramático que recai sobre Sam e a volta de um ex-namorado de seu pai também não ajudam a amenizar esse turbilhão de emoções.

Me chame de louca quem quiser, mas alguns livros pedem por abraços no meio da leitura de tão cativantes que são. “A Lógica Inexplicável da Minha Vida” é um deles. Aos poucos você se pega apaixonado por todos os personagens. Pela confusão de Salvador, pela dor de Sam (pela amizade dos dois), por Mima – a avó – que mal conhecemos, mas que vemos o carinho que todos sentem por ela, por Vicente – o pai – que nos faz pensar “me adota também” (pela linda relação de pai e filho entre eles e pelo quão pouco importa para os dois que não haja laços de sangue entre eles).

É pela voz de Salvador que conhecemos a história e realmente não poderia haver um narrador mais adequado. Essa é a sua história. A história das suas dúvidas sobre a vida, a morte, o amor, a família, o futuro e, até mesmo, sobre quem ele é (quem quer e quem pode ser - sobre a influência do homem que o criou e do homem que lhe deu sua genética no homem que ele irá se tornar). E essa é uma das razões pelas quais se torna tão fácil se identificar com o livro: todo mundo, em algum momento da vida, já se sentiu perdido como Salvador e já se questionou muitas das mesmas coisas que ele se questiona. Além disso a temática é ampla. Ao mesmo tempo que esse é um livro sobre amadurecimento é também sobre família e amizade, sobre amor e sobre luto. Temas universais e atemporais que, através da sensibilidade de Saénz, se tornam leves em uma trama que equilibra momentos melancólicos e tristes com outros que fazem seu leitor sorrir.

Outra coisa que me agradou foi ver que a homossexualidade de Vicente nada tem a ver com trama principal. Digo que me agradou no sentido de que é bom ter um personagem LGBT no centro de um romance sem que isso signifique que a trama precise girar em torno de autoaceitação e preconceito (ao contrário do que acontece até mesmo com o absolutamente adorável “Aristóteles e Dante”). Temos um personagem gay na história, mas o papel de Vicente não é o de “o gay da história” e sim de um pai amoroso e compreensível que qualquer leitor desejaria para si.

Contando com personagens verossímeis e encantadores “A Lógica Inexplicável da Minha Vida” é um YA que nos lembra de uma fase da vida em que as perguntas eram mais abundantes que as respostas e nos faz perceber que não importa quantas respostas podemos vir a encontrar no caminho, as perguntas nunca se calarão. O que importa mesmo são as relações que construímos em meio a essas buscas.

Título: A Lógica Inexplicável da Minha Vida
Autor: Benjamin Alire Saénz
N° de páginas: 440
Editora: Seguinte
Exemplar cedido pela editora

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sábado, 9 de setembro de 2017

RESENHA: Noturno

“‘Não sou’, disse Bryan. ‘Não sou um assassino.’
Pookie ergueu as sobrancelhas. 
‘É? Tem certeza disso?’
Bryan abriu a boca para responder, mas não saiu som nenhum. 
Porque quando parou para pensar, não tinha certeza alguma.” (SIGLER, 2017, p. 78)

***

O detetive Bryan Clauser começa a ter pesadelos vividos sobre assassinatos brutais. Porém, para sua surpresa, os pesadelos são reais e as pessoas foram mortas exatamente da mesma forma que em seus sonhos. Assim, Bryan e Pookie, seu parceiro, começam a investigar as mortes e descobrem segredos sombrios da cidade de São Francisco. Porém, quanto mais tentam desencavar a verdade, mais resistência encontram. 

Noturno começa como um típico livro policial, com cena do crime, autopsias e investigações. Mas quando a trama começa a se desenvolver, elementos fantásticos vão sendo adicionados. E quando a investigação de Bryan e Pookie os leva a acreditar em uma conspiração, o livro ganha contornos de thriller em virtude da busca alucinada dos detetives pela verdade. A mistura de policial, fantasia e thriller foi inédita para mim e Sigler soube mesclar todos os gêneros com maestria. 

Um aspecto interessante da obra — mas que talvez frustre alguns leitores — é que não temos respostas completas sobre o mundo sobrenatural de Noturno. Isso por que enquanto a investigação se desenrola, vamos formando um grande quebra-cabeça, porém, nem mesmo os detetives encontram respostas para todas as questões. Entretanto, cabe salientar que tais aspectos são meros detalhes, pois a essência deste mundo é bastante complexa e foi habilmente desenvolvida. 

Admito que, durante o início da leitura, demorei para me envolver com a estória. E mesmo que os acontecimentos fossem interessantes, parecia que pouca coisa estava efetivamente acontecendo. Mas em determinado ponto, quando as primeiras peças começam a se encaixar, Sigler consegue atiçar a curiosidade do leitor e, como se não bastasse, o ritmo da estória se torna mais intenso, prendendo a atenção. 

Quanto aos personagens, confesso que não simpatizei muito com Bryan, especialmente quando demonstrou reações exageradas para um evento que não me pareceu tão relevante assim. Já Pookie compensou no carisma, além de ser o alívio cômico da estória, me levando a gargalhar por diversas vezes. O antagonista da estória foi muito bem construído e entendemos exatamente o que motiva suas ações. 

O texto do autor é bastante fluído, entretanto, preciso registrar que houve uma certa repetição de ideias que poderia ter sido evitada. Por exemplo, se um personagem estava com raiva ou arrependido, o autor insistia neste ponto, afirmando e reafirmando tais sentimentos em diversos capítulos. Creio que se não fossem essas repetições, o texto teria ficado ainda mais dinâmico e envolvente. 

O final, apesar de um ou outro clichê, conta com uma dose extra de ação e adrenalina, fazendo com que o leitor fique sem fôlego. Além disso, o autor consegue amarrar todas as pontas da trama, criando um desfecho plausível e coerente com o desenvolvimento da estória e com a evolução dos personagens. 

Noturno foi uma leitura que demorou a engrenar, mas, depois que engrenou, me envolveu completamente e não consegui mais largar o livro. Com uma trama complexa, bons personagens e texto envolvente, Noturno se mostrou uma ótima forma de ser introduzido a obra de Scott Sigler. 

Título: Noturno
Autor: Scott Sigler
N.º de páginas: 499
Editora: DarkSide Books
Exemplar cedido pela editora

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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

RESENHA: Por trás de seus olhos

“Ninguém realmente espera o melhor de outra pessoa.” (Pinborough, 2017, p.262)

Se tem uma premissa da qual eu costumo fugir é o triângulo amoroso. Mas algo em “Por trás de seus olhos” me fisgou, em especial por se tratar de um thriller psicológico da Intrínseca – editora que, na minha opinião, tem um excelente faro para livros do gênero. Além disso, os elogios eram extremamente instigantes. Basicamente: um triângulo amoroso como nenhum que você já viu antes, um desfecho que você não será capaz de prever. Intrigada, pensei: “Mas será mesmo tudo isso?” e sim. É.

Louise é uma mãe solteira que em uma noite conhece um estranho em um bar. Os dois trocam alguns beijos e se afastam, mas qual não é a surpresa de Louise ao descobrir, dias depois, que o homem do bar é seu novo chefe? Para completar o constrangimento da situação, é claro que ele é casado. Como se as coisas não pudessem ficar mais estranhas, Louise faz amizade com uma mulher em quem esbarra por acaso na rua: a esposa dele, Adele. Aos poucos ela percebe que há algo muito errado com o casamento dos dois e que talvez o seu encantador David não seja tão encantador e que talvez sua nova amiga guarde mais segredos do que ela imagine.

Bizarro. Essa é a palavra que define “Por trás de seus olhos”. Se isso é um aspecto positivo ou negativo ainda não sei. Mas que leitura! Basta dizer que há muito tempo eu não tinha em mãos um livro que me fazia questionar o tempo inteiro “Qual é a desse personagem?”, principalmente para múltiplos personagens, porque é exatamente isso que acontece.

É possível sentir o perigo em cada página e isso se torna ainda mais intenso porque não conseguimos saber, exatamente, de onde ele vem. Qual é a de Adele? Qual é a de David? Qual a função de Louise nesse casamento disfuncional? Como ela reagirá diante de tantos jogos mentais e manipulações? Qual a importância de Rob (um amigo do passado de Adele)? As respostas não são tão fáceis de prever, por um lado porque a autora nos prende de tal forma no desenrolar dos acontecimentos que nem paramos para pensar. Por outro, ninguém em sã consciência vai cogitar uma coisa como a com que nos deparamos no desfecho. É algo semelhante ao que Raymond Chandler falou a respeito de “O Assassinato no Expresso do Oriente”, clássico de Agatha Christie cujo desfecho foge totalmente das “regras” da literatura policial. Deixando a Dama do Crime de lado, alguns dirão que Sarah Pinborough joga sujo (e talvez jogue mesmo), mas é inegável que sua trama é criativa, surpreendente e encontra sua lógica dentro de si mesma. Mais importante ainda, é fiel à essência de seus personagens e suas personalidades e é isso que me faz aceitar o que a autora propõe. Por fim, o livro cumpre o seu principal propósito, ou seja, entreter seu leitor.

A narrativa é dividida em três perspectivas: a de Adele, a de Louise (ambas em primeira pessoa) e o passado de Adele (em terceira pessoa), no qual vemos a temporada que ela passou em um hospital psiquiátrico logo após a morte de seus pais e no início do seu relacionamento com David. Esses ângulos contribuem para que sempre estejamos no escuro de alguma forma. Temos algumas informações que os protagonistas não têm, mas nunca temos todas.

Quanto aos personagens, o grande destaque vai para Adele: aquele tipo que faz você se sentir em um terreno traiçoeiro, incerto sobre onde pisar. Você não sabe se deve torcer por ela ou não. Você sente que nada de bom virá do que ela está tramando (seja o que for), mas você quer ver onde tudo vai chegar. Não queremos ser cúmplices de seus atos, mas querermos ser testemunhas deles. David também intriga. Qual será sua verdadeira faceta? Quais suas intenções? Onde está a sua lealdade (se é que ela existe)?

“Por trás de seus olhos” é surpreendente de uma maneira ligeiramente incômoda, mas proporciona uma experiência de leitura intensa e envolvente. Não tenho ideia do que esperar de outras leituras de Sarah Pinborough, mas pretendo conferir.

Título: Por trás de seus olhos
Autora: Sarah Pinborough
N° de páginas: 352
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

O que vem por aí - setembro

 

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